
A palavra- chave dessa passagem é "DESCANSO", do Grego, KATAPAUSIS, vocábulo que aparece sete vezes no texto, significando folga, pausa, interrupção numa atividade, repouso, habitação (ou um "lugar" de repouso), o desfrutar paz e alegria; outra palavra fundamental no texto é "REPOUSO", do Grego, SABBATISMOS (v.9), de origem Hebraica (SHABATH), significando refúgio, abrigo, refrigério, "lugar seguro", realização, satisfação (por uma obra concluída). Os destinatários dessa epístola, como o próprio título sugere, eram judeus convertidos ao Cristianismo, da diáspora, ou seja, judeus cristãos que viviam no exterior, fora da Palestina (a sua Canaã, sua terra prometida). No entanto, esses judeus cristãos, por causa de sua origem étnica, cultural e profunda identificação com o judaísmo, herdado de seus antepassados, vivenciaram a revelação de Jesus Cristo e a Nova Aliança prometida no Antigo Testamento, num contexto judaico. Como conhecedores da "TORÁ" (instrução, ensino, lei) ou Pentateuco, conheciam e praticavam o Shabath, como dia do descanso (o quarto mandamento da Lei - Êxodo 20.8-11). O próprio Deus abençoou esse "dia sétimo e o santificou; porque nele descansou de toda a obra que, como Criador, fizera (Gênesis 2.3). Assim, Deus estabeleceu um princípio de descanso para o homem e para a própria Criação, necessário por causa da ação antrópica sobre o Meio-Ambiente. Nesses dias de quarentena e isolamento social impostos pela Pandemia da COVID19, tem ocorrido uma melhora nos indicadores das condições do Meio Ambiente, devido à diminuição da produção industrial, circulação de veículos, diminuição do consumo, etc ..., levando a uma temporário, mas significativa redução da poluição ambiental, principalmente do ar e da água, em todo o planeta. Por outro lado, os efeitos contrários dessa "recuperação ambiental" são sentidos e observados na população: medo, ansiedade, crise financeira, perda de pessoas amadas, desemprego, falta de perspectivas, confinamento prolongado, aumento da violência doméstica. A HUMANIDADE ESTÁ CANSADA, OPRIMIDA E SOBRECARREGADA, assim como o povo hebreu, oprimido e escravizado no Egito. Nesse contexto Deus levantou Moisés para libertar o povo desse jugo e para cumprir Sua Promessa, feita a Abraão de "possuir" uma terra (Gênesis 12.7). Depois levantou Josué para conduzir o povo à essa Terra Prometida, para conquistá-la. Mas a Canaã terrena não era o propósito final de Deus para Israel, NÃO ERA O SEU VERDADEIRO E FINAL DESCANSO PROMETIDO. Na verdade, o propósito maior de Deus, ao escolher para Si um povo, começando com o chamado de Abraão, era trazer Jesus Cristo, o Redentor do mundo, para ABENÇOAR TODAS AS FAMÍLIAS DA TERRA (Gênesis 12.3). E, através de Cristo, oferecer Vida Eterna e uma morada eterna, a Canaã Espiritual, a Jerusalém Celestial, o VERDADEIRO DESCANSO DE DEUS. O povo de Israel busca, até hoje esse PROMETIDO "DESCANSO". Em toda sua história, Israel sofreu com o exílio de sua terra (as diásporas): a primeira se iniciou em 722 a.C. com a invasão dos assírios e se completou em 586 a.C. na Babilônia, no reinado de Nabucodonosor; a segunda, em 70 AD, pela invasão e destruição de Jerusalém por Roma. Historicamente, temos o Movimento Sionista, de retorno dos hebreus à terra original de Israel (Canaã, a Terra Prometida), impulsionado principalmente pelo "Holocausto judeu" na Segunda Guerra Mundial, e a criação do moderno estado de Israel, em 1948. "Dize ainda: Assim diz o Senhor Deus: Hei de ajuntá-los do meio dos povos, e os recolherei das terras para onde foram lançados, e lhes darei a terra de Israel" (Ezequiel 11.17). Mesmo após a restauração de Israel, como povo, nação e Estado Soberano, até os dias de hoje, Israel NÃO ENCONTRA DESCANSO, pois sua terra continua sendo lugar de conflitos e disputas. Haverá um dia em que o Israel histórico reconhecerá Jesus Cristo como o seu Messias (Yeshua Hamashia), e entrará no DESCANSO que nós, o Israel Espiritual, já estamos desfrutando em Cristo.