
Debate - “Você sabe com quem está falando?” Para uma parte representativa dos cidadãos, de alguns estratos sociais, a referência funcional, social, educacional, de renda ou de origem familiar faz parte de um critério prévio que molda uma espécie de credencial, por meio da qual a sua interação com a diversidade do meio social vai ou não se estabelecer. A acesso a esse espaço de privilégio se condiciona à realidade objetiva do outro que, se portador da credencial, terá seu acesso a esse espaço concedido. Caso contrário, torna-se um desclassificado, um desprivilegiado. Exemplos críticos desse câncer que atrasa o amadurecimento da sociedade brasileira, e que nos condenará a uma permanente desigualdade generalizada, caso não se reverta nos bancos escolares e nos núcleos familiares, estão circulando nas redes sociais e discutidos na imprensa. O caso do desembargador que desrespeitou o trabalho do Guarda Civil na cidade de Santos, em São Paulo, valendo-se de critérios funcionais, do casal de engenheiros no estado do Rio de Janeiro que tentou desqualificar a posição do fiscal de saúde pública a partir de uma credencial profissional e, agora recentemente, o caso do entregador de aplicativo sendo desqualificado por um indivíduo que, por credenciais de cor e renda, entende que lhe cabe espaço de mando. Neste programa discutimos esta fotografia do Brasil resgatando elementos importantes do período imperial, as fraturas ainda mal curadas de nossa sociedade e como isso ainda influencia a forma e o conteúdo do que somos hoje, passando, claro, pelo conceito de cidadania.