
No final de fevereiro deste ano, uma curta paralisação dos motoristas de caminhões tanque em Minas Gerais na tentativa de pressionar o governo estadual a reduzir a alíquota de ICMS sobre o diesel, motivou uma corrida por abastecimento na capital do Estado. Diante da simples expectativa de faltar combustível nas bombas, como o que ocorreu durante a greve dos caminhoneiros em maio de 2018 no Brasil, motoristas produziram longas filas nos postos para garantir seu tanque cheio. Cenas como aquelas ainda se repetirão. Os preços dos combustíveis, e seus efeitos nas atividades econômicas, têm sido pauta do debate público há muito tempo e sem solução fácil ou a curto prazo. Em função de ser uma commodity - isto é, tem seu preço estabelecido em bolsas internacionais - e da decisão da Petrobrás a partir de 2016 de repassar integralmente a volatilidade das cotações do petróleo, as correções de preços dos combustíveis têm sido constantes, produzindo imprevisibilidade dos agentes econômicos. Neste episódio, discutimos a questão comportamental que produz reações sociais diante de incertezas, os encargos tributários que incidem sobre os combustíveis num Brasil de renda média, a alta dependência do modelo rodoviário para o escoamento de produtos e especulamos sobre quais as possíveis saídas para essa situação que tende a ser cada vez mais recorrente.