
Sem precedente pelo menos desde 1977, a crise de desconfiança entre as Forças Armadas do Brasil e o governo alcançou seu momento crítico no último dia 30 de março. Os chefes do Exército, Marinha e Aeronáutica, antes de serem demitidos pelo novo ministro da Defesa, o general Braga Netto, por ordem do presidente, colocaram conjuntamente seus cargos à disposição, demonstrando clara posição de não alinhamento ao presidente, um capitão aposentado do exército, e colocando a sociedade em alerta para uma possível aventura fora dos limites constitucionais. A questão militar dentro da política sempre foi tema sensível no Brasil pelo seu histórico de ruptura institucional liderada pelas forças de Estado. Mas a eleição de Jair Bolsonaro trouxe consigo o inchaço de militares nos diversos escalões do governo; e agora parece que a relação começa a dar sinais de desgaste. Os excessos do presidente e a sua clara incapacidade de separar a política dos quartéis estão afastando a oficialidade de seu projeto de governo. Neste programa, conversamos sobre os eventos ocorridos no final de março tendo por base as principais fragilidades do governo na sua relação com o Congresso e os conflitos com alguns governadores quanto ao enfrentamento à Covid-19. Para isso contextualizamos os fatos dentro do panorama de críticas à quantidade de generais em cargos ministeriais, às falas questionáveis do presidente no que tange às suas prerrogativas executivas sobre as forças e a fragilidade do sistema democrático, que demanda vigilância.