
Que boca há de roer o tempo? Que rosto Há de chegar depois do meu? Quantas vezes O tule do meu sopro há de pousar Sobre a brancura fremente do teu dorso? Atravessaremos juntos as grandes espirais A artéria estendida do silêncio, o vão O patamar do tempo? Quantas vezes dirás: vida, vésper, magna-marinha E quantas vezes direi: és meu. E as distendidas Tardes, as largas luas, as madrugadas agônicas Sem poder tocar-te. Quantas vezes, amor Uma nova vertente há de nascer em ti E quantas vezes em mim há de morrer.