
Recentemente, Luiza Trajano, dona da rede varejista Magazine Luiza (atualmente Magalu), afirmou que sua empresa estava iniciando um programa de trainees voltado apenas para pessoas negras. Segundo a empresária e ex-ministra da Secretaria das Pequenas e Médias Empresas, o programa é uma maneira de estimular uma maior presença de pessoas negras em cargos de liderança na Magazine Luiza e de fazer uma reparação histórica. Segunda Trajano, quando ela entendeu o que é e como funciona o conceito de racismo estrutural, ficou muito impactada e chegou a chorar. Para mudar esse panorama, ela consultou um comitê de sua empresa para formular o programa. Contudo, assim que anunciou a iniciativa, houve reações contrárias. Trajano foi acusada de praticar o que é chamado de "racismo reverso", uma teoria extremista que afirma que algumas ações afirmativas seriam uma espécie de racismo, prejudicando pessoas brancas. A confusão chegou até o Governo, quando o Defensor Público Jovino Bento Júnior entrou com uma ação no Ministério do Trabalho contra a Magazine Luiza. Júnior argumentou que o programa prejudicava milhões de trabalhadores brancos e pediu o valor de R$ 10 milhões por danos morais. O Ministério Público do Trabalho declarou a ação improcedente e declarou que houve "desvio de finalidade"por parte do autor. Para entender melhor o que levou a Magazine Luiza a criar o programa que causou tantas reações adversas, O Planeta Azul entrevistou o advogado criminalista Djeff Amadeus, do Instituto de Defesa da Pessoa Negra. Ele fala sobre os precedentes históricos do racismo no Brasil e das ações feitas para mudar essa situação. Confira.