
As chamadas mães ativistas ressignificam a dor e o sofrimento. Transferem esses sentimentos da esfera privada para espaços públicos e coletivos. Um exemplo disso é Michelle Pires, que se tornou mãe ativista após a morte do filho, Emanuel, de 15 anos. Emanuel morreu em 2020 em um acidente de trânsito. O motorista de uma Amarok dirigia embriagado, em alta velocidade, avançou o sinal vermelho e atingiu um caminhão carregado com tijolos, onde estava o adolescente e Eurípedes Tomé da Costa Filho, de 26 anos, que também morreu. Hoje, Michelle integra o Mães de Anjos, grupo de mulheres que unem forças e oferecem apoio a outras mães que vivenciam o luto em prol de um objetivo comum: Justiça. De acordo com pesquisadores do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, da Universidade Federal de Minas Gerais e um pesquisador do Danish Institute Against Torture, da Dinamarca, a forma como estas mulheres verbalizam e expõem as perdas constitui uma ação política. Na tentativa de angariar legitimidade para lutar por Justiça, essas mães se tornam sobreviventes, testemunhas e defensoras dos Direitos Humanos. Ouça a entrevista (Apresentação: Rafael Tomazeti; Análise: Guilherme Verano; Produção: Victor Santos; Foto: Arquivo Pessoal)