
Nicolás Maduro não é a pessoa mais correcta e justa do mundo, mas ver líderes políticos ocidentais a reagirem a quente nas redes sociais é só prova que esta geração rasca de políticos, de redes sociais, nada sabem de política, nem de história. De 1596 até 1796 os territórios que hoje chamamos de Guiana foram dos Países Baixos, passando depois para o Reino Unido e com o selo final em 1815 com a Conferência de Berlim, passando a chamar-se Guiana Britânica, não esquecer que hoje ainda existe a Guiana Francesa, que é território francês. Durante todo este processo temos uma permanente disputa com a então Capitania General da Venezuela até 1821. Procurando mapas encontramos a margem esquerda do Rio Essequibo, o rio corre para Norte, como margem espanhola ou como zona de disputa em alguns casos, então concluímos que a disputa sempre existiu e que não é apenas uma vontade de agora do Camarada Maduro. Todavia, a questão não ficou bem resolvida, como disse anteriormente. Nestes acordos o problema foi empurrado para dali a 4 anos e depois de 1970 para 1982 e desde aí tem estado em lume brando, com uns picos quando se aproximavam eleições mais disputadas. Se tomaram atenção às datas, o problema deixou de ser gerido pelo Reino Unido com a Venezuela para ser entre a Venezuela para com um novo Estado a quem lhes é pedido que entreguem 75% do seu território acabadinho de receber a sua independência. A Guiana herda um problema do seu colonizador e não tem capacidade de o resolver, pois se resolver e quiser dar algum tipo de justiça histórica, o seu país vai ainda mais ao fundo, pois mais de 40% vive abaixo do limiar da pobreza. O território Essequibo é igualmente transportador para posses marítimas, onde se encontram os grandes grupos económicos e as “explorações imperialistas” para a exploração do ouro negro, já o ouro propriamente dito continua no Rio. A Venezuela tem uma vantagem enorme do ponto de vista militar, 150 mil soldados venezuelanos contra 3 mil da Guiana, que não tem nem Marinha, nem Força Aérea, como é possível um país costeiro não ter Marinha?.... A Venezuela é o 6º país no mundo que mais investe em armamento, sendo a sua loja de eleição a russa, já a Guiana claramente é o 152º país. Defender a paz é muito bonito e calha bem, mas paz sem armas não existe, os realistas das Relações Internacionais concordarão comigo. Mas apesar de ter toda uma superioridade militar o caminho não é fácil, pois se usar a Marinha para chegar à costa tem que entrar em águas de ilhas do Caribe que devem obediência aos EUA, por terra é um suicídio atravessar a floresta da Amazónia com tanta artilharia e homens, parece a derrota anunciada das tropas romanas nas cerradas florestas germânicas. A Guiana já disse que não vê problema em ter uma base militar americana no seu país, melhor Parceria Pública- Privada, existe? Todavia o Brasil opõe-se fortemente a isso. Biden delegou a Lula a tarefa de mediar a questão, pois os EUA já não conseguem ser os polícias do mundo, todavia Lula vai puxar a brasa para si e resolver a questão na CELAC, onde apenas estão países da América Latina, mas os EUA não têm. Temos uma proxy war a acontecer? Maduro nisto foi mais putinista que Putin, pois referendou (o que não é permitido pelos Acordos de Genebra), e mandou logo fazer circular mapas com o novo território já anexado, ainda antes de lá colocar botas. A Venezuela tem cerca de 2000 generais, cada um tem que ter o seu quintal não é mesmo? Portugal tem cerca de 220 generais, já Brasil e EUA têm 175 cada um. É fazer as contas. Uma vez mais insisto, isto não é uma questão eleitoral de Maduro, é a identidade e o nacionalismo venezuelano, qual Olivença… Segue o Podcast Conversa no Instagram, Facebook, Youtube, Spotify e Apple Podcasts. Deixa o like, as 5 estrelas e partilha