
O santuário, quer seja dedicado à Santíssima Trindade, a Cristo Senhor, à Santíssima Virgem, aos Anjos, ou aos Santos, é talvez o lugar onde as relações entre a liturgia e a piedade popular são mais frequentes e evidentes. Nos santuários, os meios de salvação devem ser oferecidos mais abundantemente aos fiéis, proclamando zelosamente a Palavra de Deus, favorecendo convenientemente a vida litúrgica, especialmente com a Eucaristia e a celebração da Penitência, bem como cultivando formas aprovadas de piedade popular. Em estreita ligação com o santuário está a peregrinação, que é também expressão difundida e característica da piedade popular. No nosso tempo, o interesse pelos santuários e a participação nas romarias, longe de se terem desvanecido pelo fenômeno da laicidade, encontram grande aceitação entre os fiéis. Parece-nos, portanto, conveniente, de acordo com os objetivos da formação dos Cultores de Mariologia, oferecer algumas indicações para que na atividade pastoral mariológica dos santuários e na realização das peregrinações se estabeleça e promova uma correta relação entre ações litúrgicas e exercícios de piedade. O Santuário Alguns princípios Quem é o Santuário? Segundo a revelação cristã, o santuário supremo e definitivo é Cristo ressuscitado (cf. Jo 2,18-21; Ap 21,22), em torno do qual se reúne e se organiza a comunidade dos discípulos, que por sua vez é a nova casa do Senhor (cf. 1 Pt 2,5; Ef 2,19-22). Do ponto de vista teológico, o santuário, que muitas vezes nasceu de um movimento de piedade popular, é sinal da presença ativa e salvífica do Senhor na história e lugar de descanso onde o povo de Deus, peregrinando pelas ruas do mundo da cidade futura (cf. Hb 13,14), recupera forças para continuar o caminho. O santuário, tal como as igrejas, tem um grande valor simbólico: é a imagem da morada de Deus com os homens (Ap 21,3) e remete ao mistério do Templo que se cumpriu no corpo de Cristo (cf. Jo 1,14; 2,21), na comunidade eclesial (cf. 1 Pt 2,5) e nos fiéis de forma individual (cf. 1 Cor 3,16-17; 6,19; 2 Cor 6,16).