
Na vida de um cristão, Maria representa, sem dúvida, o maior exemplo de colaboração no plano de Deus realizado por uma mulher. E isso é tanto mais exemplar quanto menos Maria é considerada uma criatura celeste e se destaca a sua plena e rica humanidade. A Marialis Cultus, enumerando os "sólidos fundamentos dogmáticos" da Virgem no culto da Igreja, sublinha como a sua glória enobrece todo o género humano, pois: «Maria é da nossa linhagem, verdadeira filha de Eva, embora isenta da culpa desta mãe, e nossa verdadeira irmã, que compartilhou plenamente, uma mulher humilde e pobre, nossa condição» (MC 56). Maria se coloca diante de todos os fiéis como modelo de virtude. E trata-se de virtudes sólidas e evangélicas: fé dócil aceitação da palavra de Deus; obediência generosa; humildade sincera; caridade solícita; sabedoria reflexiva; piedade para com Deus, zelosa no cumprimento dos deveres religiosos, grata pelos dons recebidos, ofertando no templo, orando na comunidade apostólica; força no exílio, na dor; disponibilidade digna e confiança em Deus; solicitude vigilante pela criança, desde a humilhação do berço até a ignomínia da cruz; delicadeza previdente; pureza virginal; forte e casto amor esponsal. A Igreja Católica, com base na experiência de séculos, reconhece na devoção à Virgem uma poderosa ajuda para o homem no caminho para a conquista da sua plenitude. Ela, a mulher nova , está ao lado de Cristo, o homem novo , em cujo mistério só o mistério do homem encontra a verdadeira luz, e há um penhor e garantia de que em uma criatura pura, isto é, Maria, já se encontra a verdade, acerca do desígnio de Deus, em Cristo, para a salvação de todo o homem”. (MC 57).