
O Oriente Bizantino O Oriente cristão, embora unitário em suas origens, inclui hoje uma pluralidade de Igrejas. Nosso olhar se detém na Igreja bizantina, também chamada de Grande Igreja por ter recolhido a herança da Tradição Oriental que reserva, na liturgia, um lugar singular para Maria. Fruto na Divina Liturgia, nos ofícios diário, semanal, mensal e no ciclo anual, a piedade mariana permeia harmoniosamente cada expressão da oração eclesial, respeitando a hierarquia do culto devido a Deus. Para alguém que celebra o rito bizantino, uma pergunta ocidental acerca da veneração de Maria é incompreensível ao ponto de serem eles que nos interrogam: como voltar-se para Deus sem lembrar a Santa Mãe de Deus? Para além do ciclo do Natal, a memória de Maria foi progressivamente organizada, no decurso do ano bizantino, em torno de cinco grandes festas: 1 - Nascimento da Mãe de Deus, em 8 de Setembro; 2 - A entrada no templo, no dia 21 de novembro; 3 - O Encontro, em 2 de fevereiro; 4 - A Anunciação, em 25 de março; 5 - A Dormição, no dia 15 de agosto, que é a mais popular entre as festas marianas: preparada por quinze dias de jejum e prolongada até 23 de agosto e que qualifica todo o mês de agosto como “mariano”. Outras festas menores também são celebradas 6 - Conceição de Santa Ana, mãe da Theotokos em 9 de dezembro; 7 - a memória da Theotokos em 26 de dezembro; 8 - a Deposição do seu manto em 2 de julho 9 - a Deposição do seu cinto em 31 de agosto (ligado aos santuários de Blacherne e Calcoprateia construídos em Constantinopla para guardar estas ilustres relíquias). 10 - As festas de Akathistos (5º sábado da Quaresma) 11 - A Virgem como Fonte de Água Viva (sexta-feira depois da Páscoa). A estas festas também se acrescentam muitas festas locais e particulares de cada Igreja Ortodoxa, como as inúmeras festas dos ícones marianos. A rica hinografia (pensemos no Akathistos) e a homilética da época patrística comentam os textos bíblicos sobre Maria, fazendo ressoar a fé na Sempre Virgem e Santíssima Mãe de Deus; louvor à Bem-aventurada entre as mulheres; a súplica por Aquela que não cessa de orar por nós ao seu Filho, Salvador de nossas almas.