
Em um contexto pós guerras, Le Corbusier, arquiteto franco-suíço, resolveu propor a reconstrução de cidades como Paris, Antuérpia, Moscou e Argel. A ideia era fazer uma cidade extremamente regular, distribuída em retículos - planos cartesianos de ruas e quadras. A Ville Radieuse partia de um princípio de setorização, onde cada parte da cidade teria um tipo específico de função. No centro da cidade ficaria o setor corporativo, com comércio e sedes de empresas abrigadas em arranhas-céus de 200 metros de altura. Os cidadãos morariam nas zonas ao redor do centro, em edifícios chamados Unités, verdadeiras vilas verticais com várias unidades de habitação e uma infraestrutura própria de lazer e comércio vicinal. Para conectar os diferentes setores das cidades, seria proposto uma rede de trens subterrâneos além de vias expressas largas e de grande capacidade para carros. Em croquis, é possível perceber que as vias carroçáveis ficariam no nível térreo, enquanto um sistema de passarelas elevados da rua seria responsável por permitir a circulação de pedestres. Havia muita preocupação de Le Corbusier com relação a condições de iluminação e ventilação natural, bem como redução de ruídos, o que geraria edifícios bastante afastados entre si. A Ville Radieuse nunca saiu do papel como idealizada, mas influenciou projetos urbanísticos de cidades como Chandigarh, concebida pelo próprio Le Corbusier, e, principalmente, Brasília, de Lúcio Costa e Niemeyer. A cidade moderna é amplamente criticada pela falta de escala humana, impessoalidade, monumentalidade e favorecimento do transporte por carros, mas gerou discussão sobre condições mínimas de salubridade para os cidadãos que são pertinentes até hoje em dia.