
Na primeira metade do século XX, a planta livre revolucionou a arquitetura. A estrutura passou a ser livre das paredes e divisórias, permitindo que as plantas fossem arranjadas livremente - uma novidade para a época. Espaços mais flexíveis, fluidos e menos compartimentados começaram a surgir. No fim do século XX há uma nova ruptura: Koolhaas teoriza o corte livre. A ideia é que não só as paredes poderiam ser livres: lajes, planos e quaisquer outro elemento mais horizontal não deveria mais ser limitado. A ideia de que um edifício é composto por vários pisos horizontais foi questionada. Variações de pés-direitos, planos inclinados, rampas e escadas seriam consequência natural do corte livre da horizontalidade rígida. Não se trata do pensamento em planta resultando em um corte interessante, e sim do projeto sendo pensado já com o corte em mente. Espaços se tornam mais dinâmicos, ricos, vivos, melhor organizados e, por vezes, mais apropriados para sua finalidade. No fim das contas, o corte livre reforça a ideia de que arquitetos pensam o espaço em todas as suas dimensões, é não apenas resolvem plantas e layouts.