
Leitura da Lenda do Folclore Brasileiro Como Surgiu a Primeira Mandioca, escrita por Jéssica Iancoski. Lenda da Mitologia Indígena Tupi-guarani. Histórias tipicamente brasileiras. Siga no Instagram: @podcast.historias Descubra mais em https://www.jessicaiancoski.com/ "Há muito e muito tempo atrás, em uma comunidade, dois indígenas se casaram: Atiolô e Zatiamarê. Um tempo depois do casamento, Atiolô ficou grávida de uma menina e Zatiamarê ficou bravo porque ele queria um menino. - Quero um Menino, Atiôlo. E quero que ele cresça forte como o pai, que casse como o pai e que se pinte com urucum para ficar tão bonito quanto o pai. Quando a menina nasceu, Zatiamarê não só não gostou, como também não reconheceu a menina como sua filha. - Essa menina para mim é vento, Atiolô. Eu não pedi ela, eu pedi um menino. E é por isto que eu não vou dar um nome para ela, não vou passar tempo com ela e não vou sequer conversar com ela. - Mas, Zatiamarê, mesmo que você não queria, ela continua sendo a sua filha. Você não pode simplesmente ignorar que ela existe. Você é o pai dela e ela precisa de você. - Dane-se. Procure o Cacique se não gostar, ele vai me dar razão porque sou homem como ele. A menina ia crescendo, sem nome e sem o amor do pai. E Atiôlo vendo que a situação não ia mudar, por conta própria, resolveu chamar a menina de Mani. Zatiamarê continuava sem se importar ou conversar com a menina. E quando Mani perguntava algo para ele… NOSSA! Ele só a respondia um um mísero assobio. - Pai, por que o céu existe? - FIOFIOFIO - Pai, por que a noite apareceu? - FIOFIOFIO. - Pai, você gosta de mim? - FIOFIOFIO Não importava o que Mani perguntava ou o quanto ela tentava. Zatiamarê sempre respondia “FIOFIOFIO”. E mesmo com o passar do tempo, a relação de Zatiamarê com Mani não melhorava. Nada mudava, continuava tudo igual e triste. Até que Atiolô ficou grávida novamente. - Se essa criança não for um homem como o Pai, eu juro, que nem por assobio vou conversar com ela. Posso até colocar em cima de uma árvore para virar comida de passarinho, Atiolô, eu juro. Mas para a sorte de todos, nasceu Tarumã, um lindo menininho. E ao contrário de Mani, Tarumã era muito amado pelo pai. Zatiamarê conversava conversas bem cumpridas com ele, carregava-o nas costas para lá e pra cá e até lhe contava histórias. E Mani ficava vendo tudo aquilo, sem entender, até que não aguentou mais e morreu de tristeza. Quando Mani foi enterrada, Atiolô chorou muito e por vários dias consecutivos. Alias, Atiôlo chorou tanto, mas tanto que regou o solo tão profundamente que do corpo de Mani nasceu a Mandioca." ___ ►►► Acesse https://www.jessicaiancoski.com/ebook para ganhar um livro infantil ilustrado grátis!