
Salve galera! Bem vindos ao terceiro mês do Papo Furado Psi, onde falaremos bastante sobre a formação do analista, tomando de empréstimo o título do livro de Dominique Fingerman. Assunto que precisa se manter vivo, ainda mais em tempos onde se tenta enquadrar a psicanálise e fazer calar sua subversão através de cursos e bacharelados, transmitindo uma idéia absolutamente enganosa de que assim se formam psicanalistas. Percebemos com alegria diversas escolas de psicanálise se posicionando com fervor contra isso! E não seria diferente aqui no nosso podcast. Lacan já advertia ao nos dizer que não há formação do analista e sim formação do inconsciente. Se há um aprendizado, ele se dá no divã, somado à supervisão e ao estudo da teoria, ou seja, o tripé da formação. Lacan também destaca o dispositivo do cartel, que se diferencia do grupo por não ter um mestre que “ordena”, destacando a possibilidade da construção de um saber individual, formado através do motor do seu próprio desejo. Isso marca a diferença entre o cartel e um grupo de estudo, o qual há uma cola em torno da palavra de um mestre. No cartel, cada integrante irá produzir um saber a partir do motor do próprio desejo. A imagem do ideal ou a garantia de um diploma deve ser deformada pelo analista e o seu desejo inédito, fruto da travessia da própria fantasia na sua análise pessoal. O desejo do analista não pode ser transmitido em cursos, cuja lógica a psicanálise não cessa de não se inscrever. A psicanálise evidencia a marca de um saber NÃO-TODO, a falta por onde o desejo pode advir. Não poderíamos deixar de bater esse papo furado com todos vocês! É sempre tempo! A psicanálise é viva e resiste! Não pode ser enquadrada!