
Renata Santana - Uma palavra sobre estatística (da poeta wislawa szymborska) Em cada cem pessoas Aquelas que sempre sabem mais: cinquenta e duas. Inseguras de cada passo: quase todo o resto. Prontas a ajudar, desde que não demore muito: quarenta e nove. Sempre boas, porque não podem ser de outra maneira: quatro – bem, talvez cinco. Capazes de admirar sem invejar: dezoito. Levadas ao erro pela juventude (que passa): sessenta, mais ou menos. Aqueles com quem é bom não se meter: quarenta e quatro. Vivem com medo constante de alguma coisa ou de alguém: setenta e sete. Capazes de felicidade: vinte e alguns, no máximo. Inofensivos sozinhos, selvagens em multidões: mais da metade, por certo. Cruéis, quando forçados pelas circunstâncias: é melhor não saber nem aproximadamente. Peritos em prever: não muitos mais que os peritos em adivinhar. Tiram da vida nada além de coisas: trinta (mas eu gostaria de estar errada). Dobrados de dor, sem uma lanterna na escuridão: oitenta e três, mais cedo ou mais tarde. Aqueles que são justos: uns trinta e cinco. Mas se for difícil de entender: três. Dignos de simpatia: noventa e nove. Mortais: cem em cem – um número que não tem variado. This podcast is powered by Pinecast.