
Quem tapa minha boca não perde por esperar: o silêncio de agora amanhã é voz rouca de tanto gritar. Quem tapa meus olhos nada esconde de mim. Sei seu nome e seu rosto, o lugar em que estou, sua noite sem fim. Quem tapa meus ouvidos me faz escutar mais. Igualei-me às muralhas e o silêncio mais fundo guarda o rumor do mundo. Quem me quer sem memória erra redondamente. Lembro-me de tudo e, cego, surdo e mudo, até do esquecimento. E quem me quer defunto confunde verão e inverno. Morto, sou insepulto. Homem, sou sempre vivo. Povo, sou eterno.