
O corvo Tinha o latido de um porco Uma faca na garganta Palavra afiada No aço dos dias Um cuspe Mentira Uma lágrima Publicada Na era passada Um apelo por socorro Um futuro numa vela Fria e apagada Um corvo Cruzava a beira Da estrada Faminto Devorava Uma velha Caça Tinha sede De sangue Quente Partia Voava O tempo em rodas O asfalto Vermelho cinza A chuva, Lavava as carcaças Uma pedra quicava No meio da estrada Até a próxima Selvageria MELINA GUTERRES / MEL INQUIETA www.instagram.com/poesiacommel