NOVO EP 03 de jul · 01:59
A minha mãe tem dores no nome
tantas, tamanhas, que lhe queima a língua.
Foi a minha avó quem lhe pôs as dores
onde podia ter plantado uma oliveira
ou outra árvore de fruto mais modesto
não era preciso que desse ouro
nem que vivesse mil anos.
As dores da minha mãe, plantadas onde
a minha avó não lhe quis pôr uma oliveira
rasgaram terríveis raízes no seu nome
impossíveis de arrancar.
Hoje a minha mãe tem dores perenes
frutos de caroço ruins de roer
sem sumo, sem polpa, sem saber
amadurecer.
A minha mãe não tem perguntas
nem paz, só rimas de dores
penas, mágoas, rancores
culpas sentidas
e um nome que lhe
queima a língua
queima a língua
quem
má-língua
míngua
míngua.
Clara obscura
ama reclama
doce azeda
velha miúda.
Todos os episódios página 1 de 2 #1 32. MATER DOLOROSA (John I., 2022) #1 · 03 de jul · 01:59 03 de jul 01:59 #2 31. A espantosa realidade das coisas (Alberto Caeiro, 1915) #2 · 12 de jan · 02:31 12 de jan 02:31 #3 30. Ah a frescura na face de não cumprir um dever! (Álvaro de Campos, 1929) #3 · 03 de dez · 01:32 03 de dez 01:32 #4 29. Vento (Manoel de Barros, 2004) #4 · 16 de jun · 03:27 16 de jun 03:27 #5 28. As Lições de R.Q. (Manoel de Barros, 1996) #5 · 02 de fev · 02:25 02 de fev 02:25 #6 27. Prefiro as linhas tortas, como Deus (Manoel de Barros, 1996) #6 · 18 de jan · 02:51 18 de jan 02:51 #7 26. Bernardo é quase árvore. (Manoel de Barros, 1993) #7 · 14 de dez · 01:48 14 de dez 01:48 #8 25. Oh Eu! Oh Vida! (Walt Whitman, 1867) #8 · 14 de out · 02:05 14 de out 02:05 #9 24. Se te queres matar, porque não te queres matar? (Álvaro de Campos, 1926) #9 · 07 de out · 07:18 07 de out 07:18 #10 23. NUNC EST BIBENDUM (Vicente Guedes, 1910) #10 · 20 de set · 01:17 20 de set 01:17
#11 22. Meditação (Álvaro Oliveira, 2020) #11 · 11 de set · 01:04 11 de set 01:04 #12 21. Cruzou por mim, veio ter comigo, numa rua da Baixa (Álvaro de Campos, s.d.) #12 · 07 de set · 04:20 07 de set 04:20 #13 20. Viver Sempre também Cansa (José Gomes Ferreira, 1931) #13 · 20 de jul · 02:41 20 de jul 02:41 #14 19. H2Ai (Álvaro Oliveira, 2020) #14 · 06 de jul · 03:14 06 de jul 03:14 #15 18. Poema de alta (Álvaro Oliveira, 2020) #15 · 28 de jun · 01:55 28 de jun 01:55 #16 17. AH, UM SONETO... (Álvaro de Campos, 1931) #16 · 24 de jun · 01:17 24 de jun 01:17 #17 16. O Dantas nu é vintage. (Álvaro Oliveira, 2020) #17 · 20 de jun · 04:14 20 de jun 04:14 #18 15. Poeminha com palavras fritas para o Carlos (Álvaro Oliveira, 2020) #18 · 17 de jun · 03:42 17 de jun 03:42 #19 14. A avestruz (Álvaro Oliveira, 2020) #19 · 14 de jun · 01:46 14 de jun 01:46 #20 13. Estou cansado da inteligência. (Álvaro de Campos, 1930) #20 · 11 de jun · 01:53 11 de jun 01:53
#21 12. Eu não sirvo para este mundo (Álvaro Oliveira, 2020) #21 · 08 de jun · 01:32 08 de jun 01:32 #22 11. Matéria de poesia (Manoel de Barros, 1974) #22 · 05 de jun · 05:08 05 de jun 05:08 #23 10. Informações sobre a musa (Manoel de Barros, 1937) #23 · 02 de jun · 01:39 02 de jun 01:39 #24 9. A alma humana é porca como um ânus (Álvaro de Campos, s.d.) #24 · 28 de mai · 02:32 28 de mai 02:32 #25 8. Tu não perguntes (é-nos proibido pelos deuses saber) (Horácio, 23 a.C.) #25 · 25 de mai · 01:23 25 de mai 01:23 ← Anterior 1 / 2 Próxima →