
Como um bebê Eu haveria de passar pelos dias Sentir cócegas nos ossos Não enxergar a tradução dos letreiros Subir as escadas pelos olhos dos outros Engatinhando para apanhar o frasco de aspirinas Os ansiolíticos Vomitar no álbum de lembranças que não são minhas Esperar que cresçam as unhas nas pontas dos dedos E arranhar as gengivas Brincar com as pernas no ar Dar nós nas bolhas de baba Morder o dedo do médico Não enxergar a tradução no que dizem Vomitar no teu ombro Me cagar de dez em dez minutos Chorar só um pouquinho Engolir moedas Não enxergar a tradução no que cantam e dançam Ter os sentimentos cercados de barras E tomar um bom trago de vodca barata no fim da manhã Antes da papinha cheia de saliva da mamãe Como um poeta Eu haveria de passar pelos dias