
O papo do Política ao Quadrado desta semana é com a embaixadora Irene Vida Gala. Com ampla experiência em países como Angola e África do Sul, a diplomata de carreira conversou sobre a necessidade de construção de uma nova agenda nas relações entre Brasil e o continente africano. Neste 14º episódio, a embaixadora falou sobre o estreitamento de elos de solidariedade e de desenvolvimento, a partir do estabelecimento de vínculos não apenas culturais, mas comerciais, empresariais, artísticos. Quer saber tudo o que entrou na pauta? Confere lá embaixo a minutagem! Feminista, africanista e “faca na bota”, a combativa embaixadora contou a sua trajetória na construção de uma carreira marginal, segundo ela própria denominou. Os estudos sobre países africanos não interessavam a muita gente e, assim, ela se voltou para o continente e lá amadureceu seu pensamento, com vivências durante missões de paz na guerra de Angola, por exemplo. “Vamos atualizar o nosso debate sobre a África”. Com esse chamado, a convidada assinala a urgência do aprofundamento das discussões sobre o tema, para além dos conteúdos históricos e culturais que permeiam nossas relações. Irene tratou da necessidade da construção de uma agenda de Política Externa com base em parcerias e atenta à atualidade. O olhar para a África dentro do Brasil – a embaixadora apontou entraves básicos para o desenvolvimento brasileiro e que afetam igualmente grandes cidades africanas, a exemplo do saneamento básico, da pobreza e da concentração de renda. O acesso internacional a vacinas para covid-19 foi outra demanda citada pela diplomata como pauta de uma agenda de interesse comum, essencial e óbvia. “Para quem tem pouco poder, que é o caso do Brasil e de países africanos, é melhor juntar”, afirmou ao lembrar que a união dos países poderia legitimar o discurso combativo à concentração de vacinas em países com mais força no cenário mundial. Neste contexto, a parceria bem-sucedida entre América Latina e África foi lembrada pela diplomata na questão da revisão das patentes de medicações contra a Aids. E aquela história de que o uso da ivermectina seria a explicação para a redução da incidência de mortes durante a pandemia, no continente? Os apresentadores não deixaram de perguntar. Irene conta que a medicação não é utilizada de forma contínua, mas ocasionalmente, para o controle de parasitas. E ela traz outros componentes que podem indicar o menor impacto da covid em países do continente: faixa etária da população (abaixo de 20 anos); população ainda essencialmente rural, com poucos lugares que promovem aglomerações em locais fechados; trabalho de coordenação de fechamento de fronteiras eficiente; experiência após o ebola e a criação de um centro de controle de doenças contagiosas com atuação na esfera continental, além do menor fluxo de estrangeiros nos países. Quem faz o quadrado? O Política ao Quadrado é o podcast de primeira que vai ao ar toda segunda. A produção independente tem apresentação de Lívia Carolina e Caio Barros, técnica e vídeo por Kauê Pinto, edição e mixagem de Bruno Rosseti e produção de Germano Neto. Siga o programa nas redes sociais: twitter.com/politicaao2 instagram.com/politicaao2 Gostou do projeto? Apoie em: apoia.se/politicaao2 Contato: políticaao2@gmail.com