
Para marcar o Dia do Trabalhador, no próximo sábado, 1º de maio, o Política ao Quadrado #15 traz reflexões sobre as novas relações do mundo do trabalho. O podcast desta semana tem como convidado o professor de Economia da Universidade Federal da Bahia, Vitor Filgueiras, que elucida questões relativas a políticas neoliberais, o impacto da tecnologia nas relações laborais e a perda de direitos do trabalhador. O novo episódio é uma verdadeira aula! O pesquisador começa o papo explicando o conceito do que ele chama de “liberalismo de playground” e a concepção de que existiria capitalismo sem Estado. “Cada um se vira e vai sobreviver se aceitar o que o mercado está disposto a oferecer”, esse seria um dos dogmas desse liberalismo. Filgueiras observa que não se pode explicar o desemprego ou as relações precárias de trabalho apenas com um olhar parcial do fenômeno da tecnologia, que permite um incremento da produção com menos mão de obra. Para ele, a análise deve levar em conta a escolha de políticas públicas e a indução do crescimento econômico. O professor também falou sobre a atual lógica do trabalho dentro das plataformas digitais, a exemplo do Uber ou de serviços de entrega. Com o discurso da terceirização levado ao extremo, tais empresas se travestem de meros espaços digitais que aproximam consumidores e produtores. Mas o pesquisador deixa claro que se trata de uma relação de trabalho assalariada das mais brutais: “alguém manda, alguém obedece as determinações de quem manda, quem manda escolhe quem entra, quem manda escolhe quem sai, quem manda escolhe quem vai prestar o serviço, quem manda escolhe o preço do serviço”. E explica que o reconhecimento do vínculo do trabalhador com a empresa dependerá de processos políticos. Convencer os trabalhadores de que não são assalariados (mas empreendedores), bem como instituições e legisladores de que existem novas relações de trabalho na atualidade seria parte da estratégia retórica de tais plataformas. O professor ainda acrescenta que a tecnologia passa a permitir o controle e mapeamento da produção cada vez maiores, gerando relações mais subordinadas e assimétricas. “A gente nem sabe a precisão dos aspectos informacionais desses programas, a partir dos quais a empresa toma decisões, não é o algoritmo, o algoritmo é um instrumento da empresa”. Quem faz o quadrado? O Política ao Quadrado é o podcast de primeira que vai ao ar toda segunda. A produção independente tem apresentação de Lívia Carolina e Caio Barros, técnica e vídeo por Kauê Pinto, edição e mixagem de Bruno Rosseti e produção de Germano Neto. Siga o programa nas redes sociais: twitter.com/politicaao2 instagram.com/politicaao2 Gostou do projeto? Apoie em: apoia.se/politicaao2 Contato: políticaao2@gmail.com