
O 47º episódio do Política ao Quadrado conta com a presença de dois convidados: Luiz Carlos Azedo, jornalista e colunista do Correio Brazilienze e do Estado de Minas, e Creomar de Souza, fundador e CEO da Dharma Politics e colunista do canal My News. Ambos os especialistas se apresentam pela segunda vez no podcast - Azedo esteve no 34º episódio, e Creomar, no 12º. Os analistas iniciam o debate, ao problematizar a grande armadilha que momentos de crise como o atual podem representar para o entendimento das dinâmicas políticas. Ademais, vários fatos e várias reflexões que transformaram 2021 em um dos anos mais difíceis e emblemáticos da história da Nova República também foram discutidos pelos especialistas. Em relação à crise sanitária e à instalação da CPI da COVID-19, Azedo afirma que a pandemia ocasionou uma grande mudança de contexto na trajetória do governo atual: Bolsonaro teria cometido um erro de diagnóstico, ao considerar o novo vírus como uma “gripezinha”, e um erro de conceito, ao imaginar que, com a imunização de rebanho, a crise seria debelada e a economia, retomada. O jornalista também discorre a respeito de como o Presidente da República utiliza, no limite de suas possibilidades legais, os instrumentos do poder estatal concentrado: afrontas à Constituição, desestruturação de políticas públicas e agressões a servidores públicos. Azedo discute ainda as origens do avanço da extrema-direita no Brasil, fenômeno capitaneado pelo atual mandatário. Segundo o jornalista, não há explicação política clássica para a força de Bolsonaro, mas sim antropológica: Azedo assevera que a progressiva e contemporânea desagregação da família unicelular patriarcal e a luta de negros, de mulheres e do grupo LGBTQIA+ por liberdade e por direitos foram interpretadas por vários setores da sociedade brasileira como uma afronta à família tradicional. O jornalista acredita que a esquerda brasileira se refugiou nas pautas identitárias e deixou um vácuo para que Bolsonaro se posicionasse como o grande defensor das pautas universalistas da sociedade. Em uma linha de raciocínio similar, Creomar afirma que o Presidente da República teria dado vazão a uma parte do eleitorado com demandas anteriormente ignoradas pelo sistema, como vários grupos evangélicos, além de ter conseguido convencer segmentos da população brasileira de que governar um país não se relaciona com elementos que tenham concretude do ponto de vista da sobrevivência, mas sim com valores e com propósitos. Em relação ao modo de Bolsonaro fazer política, o especialista assevera que o mandatário rejeita a ideia de grandes coalizões e trabalha em uma lógica familiar; essa dinâmica arriscada, contudo, não lhe teria minado sua capacidade de sobrevivência, uma vez que Bolsonaro conseguiu evitar a abertura de um processo de impeachment, mesmo após os marcantes excessos antidemocráticos ocorridos no último 07 de setembro. No que concerne às eleições presidenciais de 2022, o CEO da Dharma Politics aponta três macrotendências: incerteza, tumulto e imprevisibilidade. Creomar destaca a atual fragilidade econômica do Brasil – recessão e inflação crescente – como um dos maiores obstáculos para a chegada de Bolsonaro ao segundo turno: “geladeira vazia, voto na oposição, geladeira cheia, voto no governo”, resume o especialista. Azedo, por sua vez, assevera que os seguintes quadrantes comporão o terreno eleitoral de 2022: crise sanitária, economia, combate à corrupção e imaginário popular. Ambos os especialistas são categóricos, ao afirmar que Bolsonaro ainda é uma força eleitoral bastante considerável, que não deve ser subestimada.