
Prática da Bondade amorosa conduzida por Carla Fragomeni. Duração: 12'16" Finalização com o poema-meditação de Thich Nhat Hanh) Por favor me chame pelos meus verdadeiros nomes Não digam que parto amanhã — porque hoje ainda estou chegando. Olhe profundamente: a cada segundo estou chegando para ser um botão de flor em um ramo de primavera para ser um passarinho com asas ainda frágeis aprendendo a cantar em meu novo ninho, para ser uma lagarta no coração de uma flor, para ser uma joia escondida na pedra. Estou ainda chegando, para rir e chorar, para ter medo e esperança O ritmo do meu coração é o nascimento e a morte de tudo o que é vivo. Sou a libélula em metamorfose na superfície do rio. E sou o pássaro que mergulha no ar para engolir a libélula. Sou a rã que nada feliz nas águas claras de uma lagoa. E sou a cobra que silenciosamente se alimenta da rã. Sou a criança em Uganda, só pele e osso minhas pernas tão finas como varas de bambu. E sou o comerciante de armas que vende armamento letal para Uganda. Eu sou a menina de doze anos, refugiada em um pequeno barco, que se atira no oceano depois de ser estuprada por um pirata do mar. E eu sou o pirata, meu coração ainda não é capaz de ver e amar. Eu sou um membro de uma gangue, com muito poder em minhas mãos, E sou o homem que tem que pagar sua “dívida de sangue” para o meu povo, morrendo lentamente num campo de trabalho forçado. Minha alegria é como a primavera, tão cálida que faz as flores se abrirem por toda a Terra. Minha dor é como um rio de lágrimas, tão vasto que enche os quatro oceanos. Por favor, me chame pelos meus verdadeiros nomes, para que eu ouça todos os meus gritos e risadas de uma só vez, para que eu veja que minha alegria e minha dor são uma só. Por favor, me chame pelos meus verdadeiros nomes, para que eu possa despertar e a porta do meu coração possa ser deixada aberta, a porta da compaixão.