
Ao longo do seu governo, Bolsonaro (PL) promoveu e incentivou o desmatamento da Amazônia, alcançando índices recordes. Para pesquisadores e movimentos populares, sua reeleição significaria o fim do bioma e o aumento dos ataques a povos e comunidades tradicionais. Mas logo após a vitória de Lula, o país começa a retomar seu protagonismo mundial nas questões climáticas e ambientais, com a retomada do apoio norueguês e alemão ao Fundo Amazônia e a participação do presidente eleito na Cúpula das Nações Unidas para o Meio Ambiente, no Egito. O professor e advogado da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Afonso Chagas, aponta como urgente a retomada de diálogo e, especialmente, a reestruturação dos órgãos e instituições de Estado, a exemplo da FUNAI, IBAMA e Incra. “A vitória do presidente Lula como chefe de governo e de Estado a partir de janeiro de 2023 representa uma retomada. Nesses últimos cinco anos, a partir do golpe de 2016 até agora, as instituições de Estado foram sequestradas pelo agronegócio, principalmente pelo lado mais podre do agronegócio que desmata, que trafica madeira ilegal, que destrói a natureza. Então elas foram praticamente blindadas nesse período e precisam ser retomadas essas instituições, com um grau de compromisso e seriedade já previstos na Constituição”, explica Chagas.