
O gigantesco nicho surgiu quando o mercado se deu conta que a Psicanálise não era um curso de graduação. "O psicanalista se autoriza a si mesmo" (Lacan). Essa frase de Lacan é suplementada por duas outras condições: análise pessoal e supervisão. No entanto, Lacan instituiu uma escola para a transmissão da psicanálise. Com isso a Psicanálise deixou de ser uma especialidade médica e passou a ser o resultado de processo que envolve o desejo de analista: nunca sem que o sujeito tenha vivido a experiência da análise pessoal. Esse "modelo" prosperou por muitos anos em vários países do mundo. Várias instituições foram criadas com distintas nomeações, mas, preservando os "princípios" fundamentais da formação proposta por Lacan. Dito isto, vamos investigar o que está acontecendo no mercado dos "cursos livres" no Brasil: A palavra "psicanálise" se tornou lugar comum no mercado dos "cursos livres". Vendo as propostas de formação em psicanálise que estão sendo oferecidas nas redes sociais constatamos que é espantoso como foi objetificado como "curso" - acessível a qualquer pessoa que pague por ele - a dita formação do psicanalista: "grande oportunidade de renda"; "formação sem exigência prévia"; "reconhecimento por um número de registro em orgão público"; "certificados e até diploma de psicanalista elaborados por institutos, conselhos, organismos, que se colocam como "responsáveis", simplesmente por assim se nomearem, pois, não há qualquer vínculo acadêmico com a rede oficial de ensino regulamentada pelo MEC. (Nelson Barroso)