
Inicialmente o Acontecimento domina. A pessoa é dominada pelo Acontecimento. O Eu se recompõe frente ao Acontecimento. E domina o Acontecimento. Mas pode ocorrer de o Eu não dominar o Acontecimento. E o Acontecimento permanecer dominando a pessoa. -Eu fui traído, não reagi a tempo, não percebi a manobra... O Acontecimento é uma tortura do Eu. Que retorna sempre ao Acontecimento. Platão tentou salvar Sócrates. “No julgamento de Sócrates Platão ofereceu a Sócrates a soma de dinheiro necessária para estipular em 30 minas o montante de sua pena” “No Menon o narrador que acaba de apresentar a lista dos que assistiram aos derradeiros momentos de Sócrates sublinha a ausência de Platão com essa observação: ‘Platão, creio eu, estava doente’” Platão não foi à despedida de Sócrates onde ele se suicidaria. -Não vou assistir ao suicídio de Sócrates, estou doente dessa ideia louca. E Platão, como vingança pela injustiça, passou dos 29 aos 80 anos, durante 51 anos, visitando onde Sócrates tinha estado antes e escrevendo os “diálogos socráticos”, ao todo 36 diálogos. Nisso Platão dominou sendo dominado pelo Acontecimento transformando-o em Filosofia Platão sofreu, havia tentado salvar Sócrates, mas não conseguiu, e ficou em casa remoendo a dor da perda de Sócrates. -Agora ou eu enlouqueço, ou viro alcoólatra, ou me suicido, ou dou a volta por cima e transformo essa desgraça em Filosofia! De ser dominado ao domínio do Acontecimento que me domina. Remoer, mastigar, ruminar o Acontecimento para a partir dele produzir uma nova versão de si mesmo.