
Com uma poética que poe em diálogo Brasil e Portugal, se estende à tradição norte-americana e finca raízes em algumas das linhas de força da poesia portuguesa contemporânea, Matilde Campilho "é uma daquelas poucas pessoas capazes de produzir poesia nos outros", como bem disse Victor Heringer, em artigo publicado na Revista Pessoa. Contudo, a poesia de Matilde não só cria poesia no leitor, como também o convida ao abraço. Isto é, pega o leitor pela mão, o olha nos olhos, diz "escute só" e, então, o abraça. Não falo, porém, de um abraço físico. Matilde nos abraça a alma. E é por isso que escolhi um de seus poemas para este terceiro episódio. Portanto, espero que você, que está aqui me ouvindo, sinta a sua alma abraçada. E que essa leitura produza poesia em você.