
As canções interpretadas por Alaide Costa trazem sugestões pedagógicas de nuances dialéticas, sugerindo o ensinamento no qual aquilo que se perde enseja dor na medida em que implica também na fragmentação de um pertencimento. Essa possibilidade tem uma orixalidade sofisticada, que se percebe no pensamento do pesquisador Luiz Rufino, no seu livro Pedagogia da Encruzilhada, em que sugere a dialética do orixá Exu, com a significação da palavra e a polissemia da ação. Razão pela qual a interpretação da voz negra de Alaíde Costa tem uma potência que conjuga o místico e o político. João do Vale aborda o sofrimento do sertanejo, esquecido tal qual a possível eco epistemologia, da sabedoria popular. Onde se dá, na canção, a consciência de respeito a biodiversidade, que permitirá percepção da ciência da abelha, da aranha e do sertanejo. Por outro lado, tem um lugar telúrico da alegria dialética, em que a polissemia sagrada da festividade é substancial a herança africana lúdico gregária, quando se tem a voz negra do João do Vale, que revela o jeito real do Brasil.