
Mais de 100 mil propriedades rurais em Santa Catarina ainda não possuem matrícula ou escritura definitiva, situação que impede milhares de agricultores de acessar financiamentos, programas públicos e até mesmo comprovar oficialmente a posse de suas terras. Para enfrentar esse problema, o Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) desenvolveu o programa Lar Legal Rural, iniciativa voltada à regularização fundiária de pequenas propriedades. Na última semana, foram entregues novos títulos de propriedade pelo programa. Em entrevista à Rádio Cruz de Malta FM, o vice-presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC), Enori Barbieri, explicou o funcionamento da iniciativa e destacou os impactos positivos para os produtores rurais. Segundo Barbieri, o Lar Legal Rural surgiu a partir da experiência do Lar Legal Urbano, que já atua há mais de duas décadas no estado. O objetivo é atender agricultores que possuem áreas de até 50 hectares, especialmente aqueles com imóveis inferiores a dois hectares, que encontram dificuldades para regularizar suas terras pelos meios tradicionais. "Nós temos, por estatística, em Santa Catarina, mais de 100 mil propriedades rurais que não detêm a matrícula do imóvel. Isso torna o proprietário uma pessoa irregular", afirmou. Ele explica que a ausência da documentação gera uma série de limitações ao produtor. "A pessoa não tem o direito de fazer financiamento, tem dificuldade até para solicitar ligação de energia elétrica e também não consegue obter o bloco de produtor rural, documento que garante acesso a diversos direitos, inclusive a aposentadoria especial", ressaltou. O vice-presidente da FAESC destacou que os agricultores interessados devem procurar o sindicato rural de seu município, seja o Sindicato dos Trabalhadores Rurais ou o Sindicato dos Produtores Rurais, onde será feita a inscrição e a conferência da documentação necessária.