
“As alegrias fazem amigos, as dores fazem irmãos.” (Fernando Rey). Os laços que entrelaçamos, com a maioria das pessoas, são fontes de profundas e inexplicáveis alegrias. Somos marcados e deixamos marcas naqueles com os quais abrimos o coração, dividimos risadas, derramamos lágrimas e compartilhamos silêncios. As alegrias são em maior quantidade e reúnem muitas pessoas. A visita da dor acaba selecionando e qualificando os amigos, ao ponto de elevá-los à condição de irmãos. Sim, quando o sofrimento chega, nem todos conseguem ficar por perto, somente aqueles que ultrapassaram os laços da amizade e se tornaram verdadeiros irmãos. Praticamente ninguém está preparado para enfrentar a dor sozinho. Nem sempre é assim, mas num primeiro momento, a dor fica mais reservada, tentamos ser fortes, procuramos não demonstrar para todos o que estamos sentindo. Sinto-me feliz quando os outros partilham suas alegrias, mas levo a sério quando alguém abre o coração e, por não aguentar mais, conta o seu sofrimento. Se as alegrias convidam à festa, as dores inspiram respeito e escuta. Festejar com quem está feliz não requer nenhum sacrifício, mas ficar lado a lado com quem perdeu o chão e a direção é mais do que humano, é divino. A compaixão é o amor em sua expressão mais profunda, é comunhão de almas, é sair de si para derramar-se em sintonia pelo outro. Nem todos aceitam essa premissa: os amigos são reconhecidos no momento de sofrimento. Ao faltar a uma festa, os anfitriões compreendem os motivos. Porém, ficar ausente num momento de profunda dor é praticamente imperdoável, pois existem muitos meios para expressar a solidariedade. A dor, quando dividida, diminui, pois quebra o a dureza do desespero e abre uma pequena janela, por onde a superação adentra. A vida precisa ser celebrada, as alegrias podem e devem ser contagiantes, mas a dor não pode ficar desassistida. Que bom ver amigos tornando-se irmãos.