
Nesse sétimo episódio a pesquisadora Danielle Magalhães, doutora em Teoria Literária pela UFRJ, apresenta a filósofa italiana Silvia Federici. Intelectual e ativista fundamental para a atualidade, Federici foi uma das propulsoras das campanhas por um salário para o trabalho doméstico (Wages for Housework Campaign) nos anos 70. Sua vivência na África nos anos 80 também influenciou imensamente seu trabalho contra o neoliberalismo. Em seu mais famoso livro no Brasil, “Calibã e a bruxa”, a filósofa analisa o início da Idade Moderna na Europa a partir do ponto de vista das mulheres pobres e camponesas, mostrando como o capitalismo se desenvolveu às custas do extermínio de centenas de milhares de mulheres que foram queimadas como bruxas. Dentre outras questões, sua obra é indispensável para pensar outras versões da história que não foram contadas, para pensar o poder das mulheres sobre os seus próprios corpos, para pensar a recuperação dos laços comunais que o capitalismo não cessa de desintegrar, para pensar a importância da interdependência das pautas de gênero, raça e classe, para pensar como a prática de exploração da terra está diretamente atrelada à política de exploração dos corpos, sobretudo, nas regiões do mundo que foram colonizadas.