
Nas cidades que tinham som de linha, aquelas caixas de som misteriosas que entoavam músicas de sucesso, as “músicas dos postes”, traziam ao cotidiano de seu povo uma trilha sonora. Com as melodias acompanhando os passos das pessoas que transitavam por suas aldeias davam um ritmo de identidade àquele lugar. A música lembra o brinquedo, o figurino, o artigo comprados. É o som antigo de tudo que se tornou tão fluido, dispersou e nos tornou ambulantes sem tino e sem tom, perambulando pelas cidades que não reconhecemos. Uma cidade que canta nos seus centros, traz a arte musical como brilho à composição do que somos enquanto morador-moradora de um território partilhado, tendo a memória musical como potência de identidade.