
Quando falei com Charlie pela última vez, ele estava deitado em uma cama de hospital com duas pernas quebradas. Ele tinha se deitado bêbado em uma sarjeta do Brooklyn e foi atropelado por um caminhão. Charlie era como Faraó. Quando as coisas se voltaram contra ele, ele se voltou oralmente a Deus. Mas tão logo o problema desapareceu, lá estava ele de volta à sarjeta. Faraó era um “convertido de leito de morte”. Quando estava em aflição, ele pediu oração. Mas quando cada praga foi retirada, Faraó voltou para os seus velhos caminhos. Vale a pena destacar o que Faraó disse em cada con frontação com Moisés. Observe que cada expressão de arrependimento foi inútil. Como sabemos? Entendemos o que havia em seu coração observando o que ele fez quando cada praga foi removida. Falar é insignificante. As palavras de arrependimento, sem uma mudança na vida, são tão vazias quanto às promessas do Faraó. RICHARDS, Lawrence - Comentário Devocional da Bíblia Em que medida somos livres e responsáveis pelos nossos atos? No êxodo de Israel, Deus prometeu que livraria o povo, mesmo endurecendo o coração do Faraó do Egito (Êxodo 11.9-10). Diante disso, a pergunta é: o Faraó agiu livremente em sua política em relação aos escravos hebreus ou apenas agiu segundo uma vontade divina? O autor bíblico nos ensina a reconhecer que TODOS os acontecimentos humanos estão sob o controle de Deus, que é absolutamente soberano. O homem é livre, mas sua liberdade é relativa, porque não é poderoso nem onisciente. Deus é Senhor, mas esse senhorio não suprime/oprime/deprime a liberdade humana. Por isso, Deus e o homem escrevem a História, numa relação dinâmica e de parceria. Faraó escolheu antes obedecer a si mesmo do que a voz de Deus. Deus sabia, por seu conhecimento prévio de todas as coisas, que o Faraó endureceria o seu coração. No entanto, a ação de Faraó foi uma ação livre. Deus nos vê ontem, hoje e amanhã; logo, ele sabe que caminhos tomaremos. Contudo, ele permite que exerçamos integralmente nosso livre-arbítrio. O Faraó foi vítima de sua própria ambição, para a qual era conveniente e importante a manutenção daquele povo na opressão. Mais importante que o endurecimento prometido de Faraó foi a promessa de livramento, que foi cumprida no belo estilo de Deus. Ele ouviu os gemidos do povo e foi socorrê-lo, como acontece ainda hoje. Deus opera para libertar seus filhos nem que para isso tenha de agir no coração de alguém, como fez com o Faraó. Pensemos em algumas situações de hoje, com pessoas da nossa família que não amam a Deus e seguem seus próprios e perigosos caminhos. Que devemos fazer? Devemos clamar, como fizeram os israelitas. Devemos continuar pedindo a Deus por elas. Ele vai agir, no tempo dele, e nosso marido, filho, esposa ou pai renunciará à sua liberdade para aceitar o senhorio dele. É um mistério que vivenciaremos se perseverarmos na oração. Oremos e esperemos. Pelo seu imenso poder, Deus preserva a nossa liberdade e faz com que seus planos se cumpram. Não devemos endurecer o coração para Deus (Hebreus 3.8). AZEVEDO, Israel Belo de - Bíblia Sagrada Bom Dia