
Precisamos de solitude. Não devemos confundir solidão com solitude, nem ter medo do silêncio. Solidão é um sentimento de abandono. Solitude é o território do encontro com Deus e, a partir dele, com nós mesmos. Temos medo do silêncio, medo de que o silêncio nos afunde na noite escura da alma. O silêncio nos desnuda. É por isso que, ao chegar em casa, voamos para ligar bem a alto a televisão. É por isso corremos para encher os silêncios nos encontros, até mesmo nos cultos. No entanto, é na necessária noite escura propiciada pelo silêncio que nos descobrimos carecidos da luz de Deus. Mais ainda: onde aprendemos a serenidade que tanto almejamos? Na solitude. Quem pode fazer o bem e não faz (Tiago 4.17), além de pecar, vive uma existência vazia (maldita, nos termos bíblicos). Se quisermos, sempre encontraremos desculpas para não fazer o bem. A pessoa que nos pede dinheiro para um prato de comida ou uma passagem de ônibus pode estar nos enganando. Pode ser verdade, mas temos discernimento para avaliar. Pior que ser enganado é deixar um faminto gemendo. Podemos dizer que a tarefa de cuidar dos pobres é do governo, para o que recolhe vorazmente nossos impostos. Pode ser verdade, mas a fome ou a doença não pode assistir às nossas discussões. O cego na travessia não pode esperar que um parente distante o guie. Ali somos nós. A omissão tem o mesmo peso da comissão. AZEVEDO, Israel Belo de - Bíblia Sagrada Bom Dia