
Trabalhos maçônicos de José Geraldo de Lucena Soares A execução dos conhecimentos técnicos e espirituais durante a vivência nos três graus básicos, em sua fase final, é, segundo a boa doutrina maçônica, o que se chama ARTE REAL. É, em poucas palavras, a aplicação prática dessa cognição, considerada como um todo. Realmente, o obreiro se inicia na aprendizagem, que no passado se familiarizava com a tarefa mais elementar e braçal e, aos poucos ia conquistando progresso profissional, galgando o degrau seguinte de companheiro até atingir o mestrado. Toda essa trajetória consumia tempo considerável e dependia também do interesse do artesão que poderia encurtá-lo através de seu mérito demonstrado pelo desempenho aprimorado do trabalho. O Mestre já dirigindo o grupo subalterno constituído de companheiros e aprendizes, era considerado um “Dirigente Perfeito” dentro dos padrões da atividade exercida de construções nas diversas áreas que o empreendimento reclamava. Era “o que mais sabia”; o “magister”, no verdadeiro sentido etimológico. A chefia que era confiada ao mestrado, exigia de seu titular a qualidade de diretor incontestável, talentoso, competente e dotado de boa psicologia para o comando daquela massa operária. A lenda de Hiran Abiff reflete toda essa dinâmica durante a construção do Templo de Salomão. O mestre Hiran Abiff sempre norteou sua conduta profissional e pessoal nesse sentido de perfeição – matéria e espírito –, tanto que foi assassinado por não revelar a “senha dos mestres” dos diversos estágios do artesanato à pessoas indignas. O significado dessa alegoria representa a ambição, inveja, ignorância e fanatismo desses malfeitores. São sentimentos malévolos que nenhum Ser Humano deve cultivá-los, especialmente o maçom. Esse enfoque de natureza material atinente a ARTE REAL, foi observado por Henri Gray, citado por Jules Boucher (A Simbólica Maçônica – págs. 268 – 11ª. Edição – Editora Pensamento), para explicar sua aparição no mundo da Sublime Ordem: “Os Canteiros” haviam trabalhado para levantar suas obras-primas a mandado dos reis e dos príncipes da Igreja. Por mais privados de instrução que se possa imaginá-los na Idade Média, suas tradições escritas não lhes deixavam ignorar que sempre havia sido assim em todos os tempos e entre todos os povos em que Reis e Padres haviam honrado a Arquitetura. Esse é o motivo pelo qual as palavras “ARTE REAL”, que servem para designar, impropriamente, a Franco-Maçonaria, aplicam-se, na realidade, “Arte de Construir”.