
Trabalhos maçônicos de José Geraldo de Lucena Soares Breve Estudo sobre o Simbolismo Maçônico As dificuldades de comunicação de uma geração para outra fizeram com que o homem criasse instrumentos para essa finalidade, pois, como se sabe, todas as línguas, com o passar dos tempos, vão se alterando, especialmente o significado das palavras. Até mesmo as línguas consideradas mortas não se prestam para expressar o pensamento de uma época para a posteridade em sua totalidade. O modernismo e a tecnologia dos nossos dias não têm correspondência nesses vernáculos, eis que pararam no tempo e poucos são usados. São línguas clássicas e de estudo limitado; somente os eruditos as cultivam. Para se ter uma ideia, algumas palavras como rádio, televisão, cinema, avião, etc., não são encontradas na língua latina, pois na época que era falada simplesmente não existiam estes modernismos. E se não existiam não havia a necessidade de uso no cotidiano. Daí o surgimento desde os remotos tempos, de um meio de comunicação que atendesse essa necessidade, de uma época para outra, de forma que conservasse o verdadeiro sentido do pensamento daquela Era, evitando, assim, diferenciação ou distorção de significado de palavras, ideias, objetos e emoções. Instituiu-se, então, o símbolo como esse veículo de transmissão de ideias, objetos, emoções e palavras, em forma de figuras, gravuras e esculturas por ser eterno, imutável, inalterável e visível. Associou-se a ideia que representasse esse sinal à facilidade de compreensão no Futuro. Assim, a espada gera a lembrança de força e poder, enquanto uma pomba de cor branca tem o sentido de paz. A cruz, porque era um instrumento de castigo no Direito Romano, evoca um sentimento de suplício e a trolha, união, pois é com a colher do pedreiro que se coloca a massa para unir os tijolos, etc. A cruz, posteriormente, passou a ser a marca do cristianismo pela morte de Jesus de Nazareno, como sabemos. Tudo isso é a confirmação da palavra símbolo que emana do grego “sumbolon”, sugerindo a ideia de algo ser reconhecido através de um sinal ou gravura, exigindo conhecimentos técnicos, pelo menos, do observador. Mas para penetrar na essência dos símbolos é preciso conhecimentos mais aprofundados, pois a simbologia é endereçada para uma camada pequena da sociedade denominada na antiguidade de “escolhidos”. São escolhidos porque foram chamados para o estudo avançado dos mistérios transcendentais das diversas culturas e da Ciência Hermética (o que está em cima é o mesmo que está em baixo e vice-versa), além de outros conhecimentos correlatos. Só os especialistas entendem o verdadeiro significado oculto do símbolo que a geração transmissora deixou para as subsequentes. Entretanto, “é mister que cada interessado procure interpretá-lo, compreendê-lo e senti-lo por seus próprios esforços para poder penetrar seus profundos significados.” (Joaquim Gervásio de Figueiredo – Dicionário de Maçonaria – págs. 477- Ed. Pensamento). Ou como também sugere Albert G. Mackey: “A maçonaria não interfere na forma peculiar ou no desenvolvimento da fé religiosa de uma pessoa. Tudo que ela pede é que a interpretação do símbolo seja feita de acordo com o que cada um supõe que será revelado pelo seu Criador. Mas exige muito rigidamente que o símbolo seja preservado e, de alguma forma racional, interpretado, excluindo peremptoriamente o Ateísmo de sua comunhão, pois se não acredita em um Ser Supremo, um arquiteto divino, necessariamente ele deve estar sem uma tábua de delinear espiritual sobre a qual os desígnios daquele Ser foram inscritos para orientá-lo.” (autor citado – O Simbolismo da Maçonaria – págs. 65 – Ed. Universo do Livro)