
Trabalhos maçônicos de José Geraldo de Lucena Soares O vocábulo “calendário” emana do latim – calendae, calendarum, f., e significava para os romanos o primeiro dia de cada mês. Calendário, portanto, é a contagem da passagem dos tempos com o registro de fatos que cada um pode emprestar importância ou a comunidade local, nacional ou universal, confere valor, mérito ou interesse para comemorar, homenagear ou observar outras atividades. Este é o sentido do sistema de marcação, em sequência, dos dias e noites desde que o homem aqui chegou. Com a expansão do Império Romano, inclusive na Grécia, sua cultura levou até aquela região seu calendário, e, como os helênicos não tinham “calendas”, criou-se a ideia de que esses tempos nunca viriam, pois, tudo que era enviado as “calendas gregas”, estava fadado à perpetuidade. Como inexistia “calendas” na Grécia, nada aconteceria: ad calendas graecas! Para o dia de S. Nunca! Daí a origem da expressão – enviar ou remeter algo para as “calendas gregas”, sugerindo o entendimento de que se destina ao sem-fim, ao nada. Foi no governo do Imperador Júlio César (ano 46, a.C.), entretanto, que se adotou o calendário atualmente usado no mundo ocidental, inspirado no similar egípcio e que em 04 de outubro de 1582, o então Papa Gregório XIII, efetuou sua atualização. Verificou-se a necessidade de ser ajustado ao sistema solar e o astrônomo Luigi Lilio orientou o pontífice sua correção e assim foi editado a Bula Gravíssima de 24 de fevereiro daquele ano. Ocorreu que o dia seguinte a 04 de outubro de 1582, passou a ser o 15 daquele mesmo mês e ano, operando-se o ajuste naquela época até que outro seja feito, eis que já passou período superior a quatro séculos. O calendário romano de Júlio César passou então a ser conhecido como gregoriano como lembrança do Papa Gregório XIII que o corrigiu. O Concílio de Trento de 1563 já havia acolhido essa exigência de correção de conformidade com os movimentos de rotação e translação da Terra. Todavia o calendário gregoriano contém uma falha em sua contagem, considerando-se seu início o nascimento de Jesus de Nazareno, o Cristo. “Como ponto de partida, no uso da era vulgar ou cristã, enquanto o ano 1 deveria ser o do nascimento de Jesus, cumpre dizer, de fato que, por causa de um erro inicial de cálculo cometido pelo primeiro que introduziu essa era no cômputo das datas (o monge Dionísio, o Pequeno, no ano 525; conf. Migne, Patrologia Latina – 67, 497-502), deve-se transportar aquele memorável e fundamental acontecimento para alguns anos atrás. Com efeito, consta, com certeza do Evangelho (Mt. 2, 1-15; Lc. 1, 5), que Jesus nasceu antes da morte de Herodes, o Grande, que caiu (como devemos deduzir por vários fios de História profana) no início de abril do ano 750 de Roma, que corresponde ao 4º antes da Era Vulgar. No ano precedente, colocamos o nascimento de Jesus Cristo, embora permanecendo incerto, quantos meses se passaram, desde o seu nascimento até à morte do tirano. Outro caso grave de incerteza é a duração da vida pública de Jesus. A opinião que mais respeita os dados do texto evangélico é a que fixa em dois anos e alguns meses.” (Novo testamento – 9ª Edição – Edições Paulinas – págs. 8/9)