
IN POEMORIAM (*) Sepultaram o meu poema Não mais está entre nós Soterrado que foi, lamento Debaixo de mil caracteres De outros muitos assuntos Nem piores e nem melhores Palavras, fotos, elogios, tantos… Sepultaram o meu poema Agora há pouco respirava Mas vida em internet corre Ingrata, nem bem agradece A alma do poeta é que padece Vendo a sua cria evaporar Vem outro e toma o lugar Sepultaram o meu poema Fica difícil até de protestar É que me encontro num dilema Entre o coexistir e o reclamar No que geralmente me calo Mas há o dia de encarar os medos E o desabafo escorrer pelos dedos… Sepultaram o meu poema Porém das cinzas construí este aqui. Claucio Ciarlini (2021) (*) Dedicado a todos que sofrem ou já sofreram nos vários grupos de WhatsApp com estas lamentáveis, porém inevitáveis, ocorrências. ______________________________ Claucio Ciarlini. Natural de Teresina (1981), porém residente em Parnaíba desde a infância, com passagens pelo Ceará. Iniciou na escrita literária em 1996. Autor das obras: Linhas Impensadas (2004), Pedido de autorização para pensar (2005), Inevitável (2009), Parnaíba, por quem também faz por Parnaíba (2019) e Cronologia Poética (2021). Idealizador e organizador das coletâneas: Versania: 1° e 2° Edições (2017/2018), Contos entre Gerações (2019), Poemas entre Gerações (2020), Crônicas entre Gerações e I Coletânea Piauí Poético. Fundador e Editor do impresso cultural O Piaguí (2007 aos dias atuais). Membro da Academia Parnaibana de Letras, cadeira de número 23. Dentre outros trabalhos.