
talvez você devesse revirar meu lixo para decifrar eu, pessoa, gente é verdade que meu lixo denuncia meus podres tem meus detritos misturados a minha alegria tem minha ansiedade nas guimbas manchadas de batom meu desleixo nas pilhas de maços vazios minha miséria no tubo de pasta espremido minha angustia nos maços de cabelo que cato pelo piso minha infância em embalagens de pirulito minha alergia nos em lenços e embalagens de Vick minha chaga uterina no papel ensanguentado alguns rabiscos escritos, uns pincéis de cerdas endurecidas eu deveria olhar atenta debaixo de sua cama talvez eu mirasse mais do homem que não decifro entre as embalagens de Bis e pratos de macarrão vazios talvez assim eu entenderia quando você silencia e me deixa muda sem saber nada além de zelo, carinho, vórtices e vertigens rosangela a.