
"Eu acho que o ofício professoral está sendo posto à prova mais do que nunca agora. Ano passado o que foi posto à prova foi a nossa capacidade de inventar estratégias, inventar um jeito novo de construir uma escola online, mas o que a gente está vivendo agora é ter que lidar com as referências de escola presencial que a gente sempre teve - porque nossa formação sempre foi em escola presencial - para lidar com crianças que estão vindo de outra realidade. É louco como esse tempo todo fez muita diferença. A realidade de muitas crianças já não é mais a realidade do presencial. Assim, principalmente nos termos da experiência coletiva. Então, para muitas a realidade da escola já não é mais a realidade de ter que conviver com o coletivo, com a alteridade, ter que escutar antes de falar, ter que lidar com tempos que são diferentes dos tempos do atendimento instantâneo - que é o que elas vivem em casa na maior parte das vezes. Deixam a criança lá fazer as coisas do seu próprio jeito não no sentido da autonomia, mas no sentido desse pronto-atendimento, porque também não é autônomo muitas vezes. (...) Só que aí, né, escola é um território onde isso não tem espaço num certo sentido, porque o coletivo não consegue absorver, não consegue acolher esse tipo de reação tão ensimesmada, porque o coletivo é incompatível, o coletivo não tem ouvidos e olhos para lidar com isso". TOMAZ VOLPI, 25 anos, em conversa no dia 13 de junho de 2021. Transcrição da conversa: https://saopauloisolada.com.br/2021/08/18/a-realidade-de-muitas-criancas-ja-nao-e-mais-a-realidade-do-presencial/