
Um dia, de repente, o gato deu vida a fantasia de agir como gente, começou a ficar de pé nas patas traseiras, a gesticular com as dianteiras, empinou-se num andar galante, empossou-se dum gestual elegante; aprendeu a se sentar na mesa, a comer com garfo e faca na maior destreza, a usar o toalete, a limpar com guardanapo sua boca suja de croquete, desimpressionou-se da luz a laser, dos ratinhos de borracha e até de sua bola, passou a detestar o apelido de “Frajola” em caçar não via mais beleza, nunca mais comeu ração, só queria saber de comida francesa; aprendeu até mesmo a jogar xadrez e dominó começou a trajar paletó, às vezes colete, gravata comprida, às vezes borboleta, monóculo, cartola bengala, o felino, incrivelmente, aprendeu a falar, e fazia sala para as visitas, que figura atraente, com sua fala mansa e envolvente era agradável demais, bastante cortês e muito sagaz sabia contar piadas como ninguém, dominava a arte do flerte cordial e tinha sacadas geniais, tratava os humanos na maior camaradagem, só numa coisa permanecia selvagem, dispensava cinto, suspensórios, todo tipo de alças o bichano se recusava a usar calças, detestava também usar calçados, deixava todos avisados, não era coisa para gato, a moda de usar sapato, tamanha cafonia, ele até escreveu uma sinfonia com um complicado arranjo de notas deixou exposto o seu repúdio ao mau gosto do Gato de Botas Hosted on Acast. See acast.com/privacy for more information.