![Entrevista com a fundadora do Grupo de Apoio à Mulher [GRAM], Solange Pires Revorêdo](https://d3t3ozftmdmh3i.cloudfront.net/staging/podcast_uploaded_nologo/9628699/9628699-1694528370782-56a950c8da75e.jpg)
Fundada em 2010, a comunidade no Facebook tem como propósito ouvir, orientar, interagir, informar, trocar experiências com pessoas e acompanhar cada caso, de violência à mulher. Página oficial: https://www.facebook.com/grupodeapoioamulherr/?ref=page_internal Experiência dentro do grupo, no WhatsApp Tive a oportunidade de participar do grupo no WhatsApp. Fiquei receoso quanto à receptividade no grupo. Por quê? É necessário frisar que o grupo é formado por mulheres vítimas de agressões de homens, sejam namorados, maridos e até ex-parceiros. De plena consciência de minha presença no grupo, por ser homem, poderia ser rechaçado por algumas mulheres do grupo. É preciso esclarecer que qualquer vítima de agressão, física ou psicológica, que quase desencadeou o falecimento, cria resistência inicial a qualquer personagem, ou objeto, que esteja associado ao momento da agressão. Ou seja, trauma. Como as mulheres, vítimas de agressões masculinas, iriam me recepcionar? Na primeira vez que ingressei, fiquei observando as mensagens. Depois, comecei a dissertar sobre a perda do poder feminino nas sociedades humanas. Também iniciei ajuda às vítimas, ou seja, como conseguir defesa aos seus direitos humanos violados — explanei sobre a possibilidade de petição à Corte Interamericana de Direito Humanos [CIDH], em caso de omissão ou lentidão das autoridades brasileiras. Perguntei se as integrantes do grupo conheciam a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher ou Convenção de Belém do Pará. Sai digitando. A barreira da desconfiança fora transposta. Recebi chamada de uma das integrantes do grupo. Perguntou-me como ela poderia contar a sua história. Dei algumas informações. Fui elogiado pela ajuda por outras integrantes. Solange Pires Revorêdo, e profissionais do Direito, monitoravam e participavam das conversações. Existe uma equipe técnica por detrás do grupo no WhatsApp. Psicólogos, defensores públicos etc. É preciso, pois são vítimas e ex-vítimas de agressões masculinas. O grupo é formado por mulheres vítimas e ex-vítimas de agressões masculinas. Psicólogos dão apoio no “reservado”. As mulheres que já superaram, parcialmente ou totalmente, os traumas ajudam às novas integrantes do grupo. E isso é importantíssimo, pois sessão de grupo com vítimas que passaram por situações análogas quebra a barreira do receio de quem ingressa pela primeira vez no grupo. Entender uma dor, profundamente, somente um profissional ou alguma pessoa que passou pelo mesmo trauma. Mesmo assim, acredito que quem tem a maior probabilidade de sentir a dor aleia é quem passou pela mesma situação. Certa vez ingressei no grupo à tarde, geralmente entrava à noite. Verifiquei momento de descontração no grupo. Mensagens e imagens de otimismo. Uma das integrantes digitou sobre os Celtas e o respeito à mulher, outra digitou sobre o respeito à mulher antes do Cristianismo. Digitei, só que falei sobre homens agressivos e traumas — o que poderia levar à agressão às mulheres. Neste momento, uma das integrantes disse que não queria saber do passado de qualquer agressor. Por ser agressor, não merecia qualquer consideração. Já outra integrante disse que participara de palestra com psicólogo cuja informação explanada por ele é que muitos dos agressores masculinos também foram vítimas. Meu celular tocou! Era Dr. ª Cristiane Xavier, defensora pública. Perguntou-me se eu era jornalista. Senti, em sua voz, certa preocupação. Falava rápido, perguntava sobre mim. Por quê? O grupo é formado por mulheres vítima de agressões masculinas. Como bem disse Cristiane “Muitas se encontram em situação de risco de vida!”.