
Sociedade do cansaço | Episódio 3 | Sinal amarelo Podcast Sejam muito bem-vindos ao terceiro episódio do nosso podcast sinal amarelo. Aqui a nossa missão é ajudar você a conhecer melhor a si mesmo, ao caos do mundo e buscar uma vida melhor. Hoje eu gostaria de conversar com você sobre o nosso cansaço. Todo este episódio será sobre a leitura que eu fiz de um livro do byung-chul Han chamado Sociedade do cansaço. Han chama esse período de época imunológica. Ele explica que existia uma divisão nítida entre dentro e fora, amigo e inimigo. Segundo ele, era uma época marcada pela alteridade e pela estranheza. E como lá atrás eu falei do Rocky IV e da guerra fria, o autor utiliza exatamente o exemplo da guerra fria para ilustrar esse esquema imunológico. E o que é alteridade? Segundo o dicionário, alteridade significa qualidade do outro ou do que é diferente. O século passado foi caracterizado pela hostilidade ao que se apresentava como sendo diferente. O caráter imunológico apresentado por Han aponta para um contexto onde aquele que era visto como diferente ou estranho era hostilizado, mesmo que não representasse nenhum perigo. Aqui eu quero trazer duas citações do livro que apontam para essa mudança de paradigma na entrada do século XXI. “ Hoje, a sociedade está entrando cada vez mais numa constelação que se afasta totalmente do esquema de organização e de defesa imunológicas. Caracteriza-se pelo desaparecimento da alteridade e estranheza”. Se você é mais ou menos dessa época, é capaz de nem ter percebido a sutileza com que essas mudanças foram acontecendo. Galera, antes de continuarmos, eu gostaria de abrir um parêntese. Se eu falar alguma besteira aqui, me desculpem. Eu não tenho formação em humanas. Sou de exatas e só depois que eu me formei é que eu resolvi aprender mais sobre essas questões humanas que nos causam inquietações, ok? Então se algum acadêmico de humanas assistir a este vídeo, saiba que eu não tenho pretensão nenhuma de fazer um conteúdo científico, isso aqui é mais um registro das coisas que eu aprendo com a minha vivência. Na descrição deste vídeo, eu vou colocar alguns artigos que eu utilizei para me orientar enquanto eu escrevia o roteiro deste vídeo. Voltemos à violência neuronal dos dias de hoje. O Han fala muito sobre um tal de excesso de positividade, uma coisa que não se via muito na sociedade disciplinar do século passado. Um argumento muito forte que ele coloca no seu livro é o fato de estarmos adoecendo por causa desse excesso de positividade. Como eu entendo este excesso de positividade: hoje em dia, temos muito mais acesso à informação. Nossa conexão com outras pessoas foi ampliada a um nível nunca antes visto. Temos acesso facilitado a uma infinidade de produtos e serviços e isso gerou um excesso de estímulos que somos incapazes de processar na nossa mente. Você já parou para pensar no tempo em que você fica conectado na internet? Geralmente é através da internet que trabalhamos, estudamos, conversamos com nossos amigos e nos entretemos. E esse excesso de conectividade e de possibilidades é parte do que está nos adoecendo. “A violência da positividade que resulta da superprodução, superdesempenho ou supercomunicação já não é mais “viral”. A imunologia não assegura mais nenhum acesso a ela. A rejeição frente ao excesso de positividade não apresenta nenhuma defesa imunológica. A rejeição frente ao excesso de positividade não apresenta nenhuma defesa imunológica, mas uma ab-reação, neuronal-digestiva, uma rejeição. Tampouco o esgotamento, a exaustão e o sufocamento frente a demasia são reações imunológicas. Todas essas são manifestações de uma violência neuronal, que não é viral, uma vez que não podem ser reduzidas à negatividade imunológica.”