
Neste bate-papo, conversamos com Débora Assumpção e Lima, mestre e doutora em Geografia pela Unicamp e pesquisadora desde 2012 na aérea de expansão da fronteira agrícola brasileira no cerrado nordestino, especialmente pela cultura da soja. Débora faz parte do Conselho Latino Americano de Ciências Sociais e tem colaborado com movimentos sociais do campo no Brasil e na América Latina. Ela é também apresentadora do podcast “Aqui é o meu lugar: resistência das comunidades rurais aos impactos do agronegócio”, e tem vasta experiência na realização de trabalhos de campo nessa região. Falamos sobre o avanço da fronteira agrícola sobre o cerrado e quais são as formas de violência e de resistência no campo. De acordo com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), no ano de 2019, 1.833 conflitos, 23% a mais do que no ano de 2018, aconteceram. Isso dá uma média de cinco conflitos por dia, tornando 2019 o ano com o maior número de conflitos dos últimos 15 anos. Do total de conflitos, 1.254 estiveram relacionados à terra, 489 à água, e 90 por conflitos trabalhistas. O número de assassinatos cresceu 14%, atingindo um total de 32. Quase metade, 47% dos assassinatos no campo, tiveram como vítimas lideranças indígenas ou rurais. Ainda de acordo com a CPT, em 2019, 102 mulheres do campo sofreram algum tipo de violência.