
“ Em 2019 o CAU/BR fez um levantamento completo sobre a presença da mulher na arquitetura e no urbanismo. De acordo com esses dados, dos profissionais ativos e registrados no conselho, 63,10% são mulheres. O mesmo ocorre dentro das universidades, com 67% das alunas sendo mulheres. Entretanto, quando se fala em produção arquitetônica, dentre os principais serviços prestados pelas mulheres e registrados na plataforma do CAU, 55,7% são enquadrados dentro de projeto enquanto apenas pequenas porcentagens – 7%, 2,3%, 1,3% – estão relacionadas a outros serviços como execução, engenharia de segurança do trabalho e planejamento territorial, respectivamente. Nos quesitos de premiação e representatividade, os números também se invertem, apenas 17% dos prêmios nacionais de projeto foram concedidos a equipes lideradas por mulheres assim como apenas 17% dos membros do conselho diretor federal são mulheres, 24% no conselho estadual, e por aí vai. É triste pensar que, o que até Lina Bo Bardi vivenciou quando seu professor Marcello Piacentini disse, depois de dar uma nota baixa, que era “melhor passar pois, uma bella ragazza vai casar, não vai exercer a arquitetura”, ainda possa ser visto quase um século depois. Quantas Linas deixaram – ou deixarão – de existir por posturas assim? Falando ainda sobre o período de formação profissional, vale destacar que também não somos acostumadas a lidar com referências mulheres dentro do campo arquitetônico, os mesmos e escassos nomes já perduram por gerações. Sobre isso, Ana Gabriela Lima, na sua tese “Revendo a História da Arquitetura: Uma Perspectiva feminista” (2004), afirma que há uma lacuna na historiografia oficial que contribui para a formação de uma imagem equivocada sobre a relevância do trabalho feminino no campo profissional o que, em alguma medida, acaba por contribuir para a perpetuação da disparidade entre homens e mulheres no que diz respeito ao reconhecimento do direito de exercer legitimamente e intensamente as atividades profissionais em seus diversos estágios e de gozar do devido reconhecimento. O prêmio Pritzker, por exemplo, demorou 26 anos para laurear uma mulher pela primeira vez, Zaha Hadid, em 2004. Desde então, o prêmio foi conferido a apenas mais quatro mulheres: Kazuyo Sejima, em 2010, ao lado do parceiro de SANAA Ryue Nishizawa; Carme Pigem, em 2017, que venceu junto aos seus sócios Ramon Vilalta e Rafael Aranda, do escritório RCR e Y do Grafton Architects no ano passado.” Agora convidamos vocês a mergulhar de cabeça nesse bate-papo super descontraído com a convidada Natália Silveira.