
“Mulheres que criam crianças com deficiência lidam com sobrecarga, isolamento e falta de apoio disfarçados sob rótulo de guerreiras A esta altura de nossas vidas, todos que têm filhos ou convivem com mulheres que têm filhos sabem como a demanda para educá-los é alta. Criança é treta. Dá trabalho educar seres humanos para que sejam pessoas que perpetuem o ciclo de responsabilidade e honestidade que nosso país tanto necessita. A cobrança é muito alta e ela recai, na maioria das vezes, apenas nos ombros de nós, mulheres. Afinal de contas, para o ideário coletivo de que mulheres nasceram para ser mães, nós não fazemos mais que nossa obrigação. “Por que quis ter filho, então?”, “você sabia antes de engravidar que o filho é da mãe”, “o homem provê o sustento e a mulher é o alicerce da casa, mantendo um ambiente limpo, seguro e agradável para a família” e tantos outros absurdos fazem com que a mulher se sinta cada vez mais sobrecarregada e exausta. Por outro lado, ainda temos que lidar com aquela máxima já conhecida de muitos de nós, que diz que esperam que trabalhemos como se não tivéssemos filhos e tenhamos filhos como se não trabalhássemos. Assim seguimos nossas vidas, tentando equilibrar nossos interesses pessoais que vão além de casa/filhos/marido (pasmem, temos nossos interesses pessoais também!), nossas vidas profissionais e nossa família. Mães lidam com rotina sobrecarregada, e a situação fica ainda mais delicada ao criar um filho com deficiência em uma sociedade capitalista.”