
Ao se estudar os vinte primeiros anos do Rádio (1923 a 1943), a impressão que se tem é que, à primeira vista apenas os homens povoavam esse universo. Contudo, ao pesquisarmos um pouco mais esse período, percebemos que as mulheres tiveram uma participação significativa, sim. As mulheres do velho rádio eram cantoras, radioatrizes e locutoras. Comandavam programas, falavam de suas dificuldades com seriedade. Conheciam o papel que desempenhavam na vida de suas ouvintes, numa época em que a submissão era total e o mundo da mulher girava apenas em torno do lar. Maria Beatriz Roquette-Pinto no estúdio da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro: primeira radialista brasileira da história Hoje já vemos mulheres narrando jogos, apresentando programas, criando, dirigindo. Mas sabemos que isso tudo vem sendo construído. A evolução da programação radiofônica feminina tem sido frequentemente associada ao movimento feminista. No final da década de 1940 e na década de 1950. Esses primeiros exemplos podem não ter se identificado como “feministas”, embora claramente o fossem de várias maneiras. O Dia Mundial do Rádio de 2014 celebrou as mulheres no rádio e o empoderamento feminino, mas também observou que a igualdade de gênero continuava sendo um desafio nos meios de comunicação.