
CONVIDO VOCÊ HOJE PARA REFLETIR CONOSCO SOBRE O PRIMEIRO TÓPICO DA TERCEIRA BEM-AVENTURANÇA: - “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados”. QUEM SÃO OS QUE CHORAM? 1º Tópico a ser considerado nessa bem-aventurança: QUEM SÃO OS QUE CHORAM? Cristo refere-se aqui ao sofrimento pelo Reino de Deus. O que conta é o amor e a dor como expressão e manifestação do amor. Devemos insistir mais uma vez que o Reino de Deus percorre caminhos opostos aos do mundo. Esta é a constante das Bem-aventuranças e nesta sobressai, de modo especial, “Os que choram” por contraponto “aos que riem” (Lucas 6,25), os que sofrem por oposição aos que buscam o prazer de acordo com o mundo. O que chora é pobre, despojado de algo desejado ardentemente pelos homens. O justo sofredor (tal como o pobre) aceita humildemente perante Deus uma posição de abatimento. Do Deus de todo o consolo espera alívio, ajuda, força e, de certo modo, uma explicação (dentro do mistério) do porquê da dor. O sofrimento bem aceito, embora custe de início, torna a todos nós mais humanos e compreensivos, mais tolerantes e educa a todos para ver a outra face da realidade, oculta muitas vezes pela superficialidade, o cansaço da vida ou as mil ocupações com que se possa estar comprometido. [..] Estamos aqui nos referindo à felicidade daqui de baixo, desta terra, a que qualquer homem e qualquer mulher pode ter, trabalhando e sem esquecer que a existência está sujeita a tantas necessidades que sempre faltam peças ou fragmentos que se perderam e não podem completar esse quebra-cabeças que é cada um de nós. No Evangelho de Lucas vemos esta Bem-aventurança com uma condenação de Jesus: “Ai daqueles que agora riem”, os que vivem uma espécie de gozo superficial, despreocupados de qualquer empreendimento humano que os eleve acima do puramente material. Os risos censurados por Jesus são os risos que soam em falso; os risos condenados são os que profanam o que deveriam respeitar, os que escarnecem das verdades, os que ofuscam o olhar cândido de uma criança, os que quebram os entusiasmos generosos. [...] Esta Bem-aventurança torna-se bem clara numa parábola: a do rico avarento e o indigente Lázaro, descrita em Lucas 16, 19-31. Nela há um testemunho claro das duas facetas: a alegria e a tristeza. A do rico é uma felicidade sem fundamento, pois pôs o seu coração nas coisas que brilham e que o enchem. Por isso, o único que pode rir de verdade é o cristão, já́ que possui argumentos que documentam e dão corpo ao seu percurso. Esta parábola ensina mais uma lição: a dignidade da pessoa por apenas ser o que é, independentemente da sua posição social, econômica, política ou religiosa. [...] É necessário ter sofrido para chegar a ouvir dentro de si os tímidos apelos da esperança; porém, a quem responde à chamada, a esperança mostra prontamente os difíceis caminhos da fé. Não se vê aqui o primeiro resplendor que ilumina o mistério das dores humanas? Será que continuaremos a dizer que o Evangelho é cruel, quando proclama a Bem-aventurança das lágrimas? Mas a vida atual seria muito pior se não pudéssemos chorar as nossas culpas; basta para castigo não poder repará-las completamente. Sim, começamos por maldizer a sorte que nos voltou as costas, protestando contra a injusta adversidade e o sofrimento imerecido. Depois, um dia, uma luz que não vem desta terra atravessa o nosso espírito e já não atreveremos a afirmar que não merecíamos sofrer. Chorar e lamentar-se por falhas próprias conduz, ou deveria conduzir, a mudar, a tentar seguir o exemplo e o modelo que Jesus nos oferece ao longo das páginas do Evangelho. Por aí se reconquista a verdadeira alegria que leva à paz interior. A verdadeira dor de coração leva a todos ao melhor: à dor do amor. CRÉDITOS Texto: https://ens.pt/protected/wp-content/uploads/2018/05/tema-de-estudo-2004-as-bem-aventurancas.pdf Imagem: https://br.pinterest.com/pin/973973856889188581/ Trilha sonora: acervo pessoal.