
Dias antes da eleição mais democrática da história do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), eis que surge um velho conhecido dos canais ESPN em diversas reportagens que ajudaram a afastá-lo da presidência da CBTKD (Confederação Brasileira de Taekwondo). Carlos Fernandes é alvo de investigações do Ministério Público Federal e da Polícia Federal por graves denúncias de corrupção na entidade. Afastado da presidência do taekwondo nacional pela operação Nemeus, em agosto de 2016, Carlos havia sumido do cenário do esporte. E como se fosse um furioso atleta em busca de um contra-ataque já nos minutos final da luta, ressurgiu das cinzas com acusações parecidas com as que o tirou do trono do esporte. Aos 58 anos de idade, o homem que já foi mágico de profissão - inclusive trabalhou com o famoso David Coperfield - resolveu procurar a reportagem e apresentar alguns documentos e provas de uma ação que foi aberta na sexta vara civil da Barra da Tijuca no Rio de Janeiro. A ação movida pelo aliado José de Souza Júnior, presidente de uma das duas federações paulistas de taekwondo, traz indícios de supostos desvios de dinheiro nos pagamentos de uma dívida que a própria gestão de Carlos deixou da CBTKD junto ao COB. O atual presidente da entidade, Alberto Cavalcante Maciel Junior, antigo aliado de Carlos, disse que a dívida chegou perto de R$ 6 milhões de reais, mas que a atual gestão conseguiu recuperar algumas notas, baixando a dívida para a metade. Júnior Maciel, como é conhecido no meio, disse que a CBTKD parcelou essa dívida em 60 prestações de aproximadamente R$ 50 mil até quitar o débito milionário. Mas Carlos Fernandes e José de Souza Júnior encontraram documentos e depósitos suspeitos em uma prestação de contas que, segundo eles, não foi prestada aos presidentes de federações na última assembleia da entidade, em fevereiro de 2020. “Eu estive nessa assembleia e ela deveria ter sido de forma transparente. Apresentaram os balancetes, mas não apresentaram qualquer documento em pouco mais de 1h30 de reunião para a aprovação das contas. Eu queria saber a origem das receitas até para onde elas estavam indo”, declarou José de Souza Jr. É aí que, segundo o ex-presidente Carlos Fernandes, estão as suspeitas de que o COB é quem está pagando a dívida de R$ 50 mil por mês, já que, segundo ele, a entidade não tem dinheiro para pagar essa conta com o Comitê Olímpico Brasileiro. “Possivelmente o COB está passando dinheiro para essa Wirecard passar para a confederação pagar pontualmente, para que fique bem tudo politicamente, né?”, questionou Fernandes. Carlos afirma que foi traído por antigos funcionários que hoje, segundo ele, também estão colocando em risco a gestão de Júnior Maciel. Fernandes afirma que tudo ali é um jogo político. Diz que, enquanto ele estava no poder, tinha um ótimo relacionamento com Paulo Wanderley, mas que hoje o atual presidente reeleito no COB nem atende as suas ligações e mensagens. Disse que o jogo é político, pois Júnior Maciel, candidato à uma vaga no conselho administrativo do COB, fez campanha para que Paulo Wandeley vencesse o pleito. Maciel também conseguiu se eleger entre os sete membros do conselho, ficou em quinto lugar. A reportagem entrou em contato com o presidente Junior Maciel que, um dia antes da eleição do COB respondeu. “É uma ação pessoal e política. Pegamos uma confederação cheia de dívidas. Nós tínhamos uma falta de prestação de contas junto ao Comitê Olímpico que alcançava o valor de mais de R$ 6 milhões. E conseguimos, com o desafio de uma equipe forte e comprometida, regularizar isso aí, parcelar parte da dívida que ficou”, disse.